sábado, 19 de maio de 2012

qual o sentido da sua vida? e no que consiste a sua realidade?

Não me apaixono a tanto tempo que não saberia dizer se estou apaixonada ou não.
Trancada nesse globo de vidro, presa, livre, tudo é um ponto de vista.
Eu respiro, caminho, fumo, penso, existo,
mas evito sentir tudo que pode provocar o mínimo arrepio.
Cada passo que dou se apaga rápido,
cada caso também.
Ninguém parece ser forte o suficiente pra sacudir a esfera que habito
e eu prefiro assim.
Ver esses flocos caírem ao mínimo tremor me aterroriza,
um dia eu já admirei aquela beleza,
agora eu admiro as mudanças que o tempo me faz.
Por mais ridículo que soe, a forma como a beleza da juventude tem me deixado rápido,
o gostinho amargo que toda aquela história deixou,
essa cicatriz da qual nunca vou me livrar, a rachadura no meu globo.
Não acredito em religião, amor, homens.
Qual seria o sentido da minha vida além da simplicidade de viver?
Me esconder no mais raso possível,
fugir das tentativas de me encontrar,mesmo que as vezes eu anseie por isso.
Queria que entendessem, queria que alguém pudesse me ajudar,
depois volto  realidade e volto  andar,
respiro, penso, existo... Sigo em frente.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

só gosto de praia no inverno

céu cinza
ondas agitadas
areia úmida
gelada sob meus pés
Beirut
minha calça está molhada
meu rosto
o vento é tão congelante
e isso me acalma
o sereno
a paz da solidão
de estar livre
fora daquelas paredes
longe do olhares
podendo ser
escrevo o nome dele na areia
deixo o mar levar
choro
pulo
corro
grito
sorrio
ignoro a confusão do meu cabelo
assim como ignoro a confusão da minha vida
está chovendo
esperei por isso
deitada sentindo cada gota
eu sou feliz
porque estou livre
pra respirar
pelo menos no inverno