segunda-feira, 9 de abril de 2012

Evite ler essas baboseiras


Eu não sou desse tipo, de escrever diretamente o que penso, prefiro minhas palavras desconexas, assimétricas, sem rimas, mas algumas coisas tem me sufocado. Não vou ser hipócrita e dizer que sou uma pessoas solitária, sem amigos, pois sou o oposto, sempre tive muitos amigos, e sempre dependi muito deles, mas há algum tempo isso tem me causado repugnância, começo a rever tudo que vivi, tudo que fiz, me arrepender de coisas estúpidas, a me isolar... E como é bom, porque pela primeira vez em muito tempo me sinto bem tendo apenas há mim mesma, quão estranho isso soa?
Ter minha mente apenas pra mim, não ser julgada por pensar, porque mesmo meus amigos não conseguem me entender. Será esse o problema? Isso seria agradável eu acho, parecer mais complexa pros outros do que realmente sou. Porque na verdade tudo que quero é ficar sozinha, me fechar na minha solidão, na minha tristeza, no meu frio, não quero ter que dividir esse sentimento com ninguém pelo simples fato que ele é meu e se nem eu entendo o que ele é, quem vai poder? Eu não quero mais um amor, não quero mais um amigo, não preciso mais ser social, eu apenas quero entender essas coisas que de tempo em tempo vem me rondar, me provocar.
Eu tenho feito algo, algo estranho, tem esse menino que eu tenho observado, ele me faz sentir triste, talvez porque ele pareça triste, mas ao mesmo tempo tem toda essa esfera calma ao seu redor, como se nada pudesse pertuba-lo, nada vai alcançá-lo, e ele parece bem com isso, frio, distante, sozinho, sereno, e de alguma forma me tranquiliza também. Eu gosto de observá-lo me deixa segura por algum motivo, imagino se alguém me observa também quando estou parada apenas pensando em todas as coisas que as pessoas normalmente evitam, em todas as perdas que já tive, por todas as coisas que passei, 19 anos, algumas depressões, alguns cortes, algumas pílulas, algumas pessoas machucadas, pessoas desesperadas, segredo da família, tudo isso que as pessoas insistem em ignorar, em fingir que nunca aconteceu.
Admito estar um pouco temerosa, porque reconheço algumas coisas do meu passado voltando, em alguns momentos... É como cutucar aquele seu machucado apenas pelo prazer de sentir aquela dorzinha aguda. Hoje eu mudei um pouco minha forma de clarear a mente, cigarros... como ele são úteis. Eu não estou procurando voltar a sentir algumas coisas, porque elas ainda me aterrorizam, mas eu me sinto mais segura de encará-las, de tentar entendê-las e tudo que preciso agora é de espaço, e minha solidão é tudo que preciso, eu apenas me pergunto se vou poder encarar essas coisas tão fria e serena como aquele menino aparenta ser.

fugas&cigarros


cigarro, fumaça
eu fumo desgraça
me envolve
me toma de dentro pra fora
mais puro que ar
mais pesado que o céu
mais leve que a vontade de parar
um trago, um sabor
suave beijo de despedida
continua dança cinza
me leva pra longe dessa terra suja
me trás pra perto desse lugar escuro

cigarro, fumaça
eu fumo a minha desgraça
e na neblina que expiro
me escondo, me cego
de um mundo
imundo,
eu corro, levito,
na fumaça de cada trago,
eu fumo uma escapatória



apenas mais um buraco negro no mundo
sugando tudo ao meu redor
pra essa solidão infinita
escuro, frio, meu
eu.

queda livre



Em queda livre me jogo desse abismo de coisas imundas, dessa vida pequena e inútil. Tento ser algo como um pássaro, o vento me agrada, forte... Cegante... Asfixiante.
Eu não sou mais eu, sou o que finjo ser porque é o quero ser, sou algo no ar, sou algo fora de si, fora de mim.
Eu voô, plano, me jogo, e na pressa de cair em colisão ao vazio do mundo me despeço, despedaço, parto.

Poison


ah menina, sua doce saliva
veneno incurável
e mesmo assim eu a desejo
quero sentir seu ácido percorrer-me
os ligamentos de minha alma
queimar minha entranhas
e me fazer sofrer
insônia, alucinações,
a eterna dor de sentir esse amor
aceito todos seus efeitos
defeitos
perfeitos
se você quiser me lamber