quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

conto 4: despedida.



O vento soprou forte e gélido no pescoço de Joseph, fazendo-o tremer. Era esguio e magro, sentado naquele banco. O homem pegou um cigarro para si e apalpou os outros bolsos, a procura de um isqueiro. Ele afundou sua mão em um dos bolsos e encontrou o objeto que tanto procurava. Os lábios comprimidos pressionavam o cigarro enquanto segurava o isqueiro com a mão tremula.
— Você pode me dizer a verdade? Apenas diga um Sim ou Não, e seja feliz. Só quero que você seja feliz. — Falou a mulher sentada ao lado do homem. Notava-se que em seu olhar havia desespero. Ela se segurava para que a lágrima teimosa não cai-se por sua face. — Pare de fumar e me responda. — Bufou.
- Eu sei que você não gosta que eu fume. - Seus lábios estavam tão comprimidos que sua voz branda era quase inaudível. Mas era violenta a fricção do seu polegar contra a rosca do isqueiro, na tentativa de acendê-lo. - Mas é que está tão frio aqui, está frio não está? Eu tenho que me aquecer de alguma forma.
  A chama rompeu azulada e alta. Aproximou o cigarro preso entre os lábios repentinamente ressequidos, como se a chama lhes tivesse absorvido toda a umidade. Ele tragou lentamente, deixando a fumaça tomar conta de sua boca por alguns segundos, e depois soprou-a ao vento. Logo deixou o cigarro entre seus dedos finos e inclinou-se para mulher. Fitou a beleza que tinha nela. A pele dela era alva, com as bochechas com aquele leve tom rosado. Os lábios cujo o batom vermelho caia tão bem, e combinavam com o cabelo cor de fogo. Os olhos verdes, oh, profundos olhos verdes, espelhos de sua alma. Que refletiam a sua delicadeza e esplendor.
— Pare de me olhar assim! Só quero que ao menos uma vez, você me responda. — Ela suspirou fortemente tentando ter forças. Quando o homem ia novamente por o cigarro entre seus lábios ela o pegou e o jogou longe. O silêncio dele e sua calma deixava Sophie mais impaciente.
— Antes o que te esquentava era meu corpo. E agora, um cigarro? — Uma lágrima teimosa escorreu pela sua face.
— Sim. Um cigarro não causa dor. Causa? — Joseph suspirou fortemente, sua expressão era monótona.
— Então é isto. Sempre te causei dor, uau! Quero saber apenas uma coisa. Mesmo com este sofrimento, você ainda me ama? Me ama como me amou um dia? — Perguntou rapidamente, atropelando as palavras. Com medo da resposta.
O silêncio de Joseph foi torturante para ela. Agora só se ouvia o sussurro dos ventos, ou as folhas das árvores balançando contra a brisa. O homem fitou o céu nublado e abriu seus lábios tentando falar algo. Mas falhou, nenhum som saiu.
— O silêncio traz a verdade da dor. É uma resposta objetiva! Quem fica em silêncio tem medo de falar a verdade. Já que você não ira falar nada, quer que fique assim, subentendido. Tudo bem, não irei mais pressionar. — A mulher fitou Joseph. Os olhos deles estavam fechados, mas ela analisou bem a face pálida dele e pode ver uma lágrima escorrer. Talvez fosse a ultima lágrima de amor por ela.
Sophie se levantou e andou em passos calmos na direção longínqua do horizonte. Apertou a capa contra seu corpo, tentando em vão se proteger do frio cortante da calada tardinha.

Joseph fitou o lugar e não havia mais ninguém ali. Ele se aproximou do tumulo de Sophie e ali jogou sua ultima rosa.
— Desculpe. Não posso amar alguém morta! Você um dia foi minha vida, mas hoje, já não é mais.

conto 3: Sem entender.



Estava só, um vazio dentro de mim. Esperando num canto ele voltar, escrevendo cartaz de amor sabendo que ele não vai notar, serão amassadas e pisoteadas assim como meus sentimentos. Ao mergulhar nesses pensamentos torturantes, uma luz invadiu uma sala vazia, onde eu estava. A luz vinha da porta. Tentei ter forças para levantar meu rosto, escutei a voz dele, uma voz fria. Mais não me importei, esperei tanto para vê-lo, me atirei nos braços dele, tentando sentir seu cheiro, estava nervosa. Depois senti que estava sendo jogada para um canto, novamente. Eu queria dizer que eu o amava, precisava dele. Mais eu estava muito fraca, sem o saber porque. Não me lembrava de nada, apenas que eu o queria. Quando consegui abrir meus olhos, enxerguei sua linda face, seu olhar brilhante, seus lábios de mel, tudo nele era fascinante. Depois de analisar cada detalhe, percebi em seu olhar que estava com raiva, parecia estar gritando. Mais eu mal escutava, havia uma música de fundo, não sabia onde eu estava. Do que importa? Ele estava ali, isto era a única coisa que importava. Mais porque não conseguia escuta-lo, parecia que eu estava morta, mas não era isto. Suspirei fundo, ele estava ficando mais nervoso. Quando a música parou um pouco, consegui escutar algumas palavras.
- Porquê você fez isto Jenny? Você não podia ter feito isto comigo, não podia. Eu te amava! - dizia ele com uma voz fraca, com palavras de sofrimento. Senti uma dor dentro de mim, e me esforcei para falar.
- E..u te am..o – murmurei gaguejando, senti uma lagrima escorrer em meu rosto.
- Oque? Agora para isto você me ama? - falou ele gritando.
- Si..m, sempre..e! Fique, nã..o se vá den..ovo. - gaguejei novamente.
- Você quer que eu fique para que? Depois de tudo oque você fez? - Falou ele ficando mais brabo, não entendia. Parecia que estava drogada.
- Oqu..e eu fiz? Me explique. Porque tudo isto? Porque este sofrimento? - lagrimas estavam caindo, havia uma maquiagem escorrendo pelo meu rosto.
Você que causou todo este sofrimento. Foi você! - disse ele me acusando.
Novamente sem entender, estava ficando mais fraca. A música retornou, só que desta vez mais baixa. Analisei novamente a face dele, e estava segurando lagrimas. Oque eu fiz? Nunca vou me perdoar por fazer ele sofrer. Socorro!
- Oque eu fiz? - perguntei novamente.
- Não se faça de vitima. Vou embora – Disse ele ainda brabo.
- Não, por favor. Não me deixe aqui. Eu amo você. Me explique! - falei desesperada.
- Não me peça para ficar, você não merece. Mais não sei oque estou fazendo aqui. Afinal, Oque eu esperaria de uma Stripper drogada? - Disse ele batendo a porta.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

momentos




Eu queria chorar, estava sozinha e sem muitos amigos eu queria que entendessem o quanto uma simples ação pode magoar, queria que percebessem que uma amizade não pode funcionar desse modo, que não importa o quão ruim seja devesse apoiar, dar importância as coisas mais banais se isso faz a outra pessoa feliz, mostrar que se importa. Sinto saudades daqueles que realmente me apoiavam que acreditavam em mim, que amavam o que me fazia feliz, que se importavam e agora parece que terei que viver dias sem vê-los, dias de solidão com falsos amigos que só querem uma amizade vantajosa, é natal e estou sozinha, quero chorar, mas no final isso não adiantaria nada, porque não haveria ninguém pra enxugar minhas lágrimas.

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Salve-me desse frio que me invade
Salve-me dessa solidão que tenta me abraçar
Salve-me de toda dor que esta me cercando
Salve-me daquilo de que tanto tenho medo
Salve-me de viver uma vida sem você.

poker face



Use seu falso sorriso e minta para mim, continue jogando, não pare, as regras são claras, não há regras, abuse de mim e ignore minhas preces, você me conhece tão bem que não há como não vencer, sorria, beije minha nuca me deixe sem fôlego, não há escapatória, você vai ganhar, continue, mais uma rodada e serie sua, lance os dados, a sorte parece estar ao seu lado, faça piadas, comemore antecipadamente, fale novamente o que não pode ser dito, continue mentindo estou acreditando, e você esta preste a ganhar, mais uma casa e será o grande vencedor. Oh droga! Esqueci de dizer eu apenas estava blefando e você perdeu. Me perdeu.

viajem



O navio esta partindo, você esta nos cais, então porque se sente tão desesperado? parece que alguém esta levando algo seu não?! Bem tente gritar, que sabe alguém não te escute, eu acho que não. Veja todas as pessoas que se dispedem e tente encontrar o rosto do seu ladrão, quem sabe ele não sinta pena e devolva pra você. Bem agora pode ser que esteja tudo perdido, o que é uma pena, porque será doloroso ver você sobreviver sem um coração.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

i gotta feeling



Segure seu copo plástico, vamos lá, pule e dance essa é uma noite para ser inesquecível, rebole sua bunda e cante mesmo sem saber a letra de cor, beba mais um gole sinta o efeito da bebida em você e sorria mais abertamente, isso mesmo, desabotoe mais a blusa, prenda seus cabelos feche os olhos e se imagine em outro lugar, puxe alguém pra dançar, essa alegria pode ser dividida, essa noite é sua e nada pode estragá-la, ignore os outros, apenas dance e ria se solte e deixe o som te levar, não recuse a companhia de ninguém. Essa noite é a melhor noite da sua vida, talvez você nunca mais tenha essa oportunidade então apenas por essa noite deixe os problemas de lado e extravase curta cada momento, beije o cara mais gato e depois volte a dançar. Essa noite é uma festa.

se...



E se as ondas pudessem contar sobre todas as lagrimas que agora delas fazem parte, quantas historias teriam, quantos corações partidos pra carregar, quanta solidão presa em um mesmo lugar.
Se o vento pudesse contar sobre todas as palavras que carregou, todas as mentiras que acolheu todas as promessas que ouviu, quantas verdades teriam, quantas conversas em vão, quantas juras esquecidas pelo tempo, quantos corações feridos flutuando.
E se a terra pudesse contar sobre todos os passos que ajudou, quantas vezes segurou corpos feridos e ensangüentados, corpos quentes e suados, quantos passos em direção a alguém em vão, quantos passos em direção a um mesmo abismo.
E se meus olhos pudessem contar sobre todas as vezes que te vi parti, todas as vezes que chorei por você, todas as imagens que não consigo esquecer, todas as mentiras que viu se camuflar, alguma coisa mudaria. Eu acho que não.

some point.



Em algum momento tudo deixou de importar
Em algum momento perdemos a paixão
Em algum momento deixamos as palavras morrerem dentro de nos mesmo
Em algum momento morremos e não podemos reconhecer isso.

E desde então tem sido tudo igual
Desde então nada mais tem importado
Desde então estivemos caminhando em círculos
Desde então nossas cabeças baixas escondem toda a solidão.

E agora não conseguimos nos manter em pé
Agora mal podemos nos manter acordados sempre caindo no mesmo sonho
Agora nem lagrimas podem diluir toda a dor que nos causamos
Agora estamos definitivamente presos nesse ciclo vicioso.

Um amor que acabou em algum ponto. Estamos cegos.

idades diferentes



Você não consegue ver o que faz a mim garoto, eu sou a mais velha e fico vermelha toda vez que te olho, talvez estejamos invertendo os papéis, desde quando preciso pedir algo a alguém, me sinto tola e jovem, preciso da ajuda das minhas amigas pra poder elaborar frases de efeito e mal consigo dormir, toda essa ansiedade me mata, talvez estejamos invertendo os papéis, desde quando não consigo parar de olhar pra alguém sem pensar em quanto perfeito ele pode ser, e desde quando você começou a achar que podia ser como quisesse comigo, talvez estejamos invertido os papéis e não gosto dessa sensação, sempre estive no controle e nunca perdi esse jogo, e agora é como se eu não conseguisse nem ao menos ler as regras. Porque estou tão nervosa deveria ser apenas mais um encontro qualquer, talvez um futuro, bem distante, mas minhas mãos estão suando e não consigo parar de pensar no que você esta pensando de mim. Talvez estejamos invertendo os papéis, e acredite garoto isso não é legal, porque essa sensação de enjôo que sinto me deixa frustrada e cada vez que você diz algo não posso evitar uma risada nervosa, talvez estejamos invertendo os papéis garoto, eu deveria estar no comando aqui, então, por favor, pode apenas colaborar.

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Era incrivelmente assustador o quanto podia ser dito naquele silencio, o quanto um gesto podia significar, pra ela nada mais importava contando que ele estivesse La para segura-la depois, e ele prometeu que faria isso, e ela acreditou, então talvez ela merecesse alguma explicação sobre o que estava acontecendo, o abraço não era o mesmo, o beijo na testa era doloroso demais e aquele olhar. Sem mais nenhuma palavra, todos já sabiam o que viria depois, ela queria chorar, mas simplesmente não pode e sem o barulho nem mesmo de seus passos ele se foi, e ela ficou La tentando escutar aquele som de algo se quebrando porque definitivamente algo estava se quebrando, mas o som não veio à dor não veio, nem a própria consciência queria vir, então ela se sentou e ficou ali, apenas sozinha enquanto ele partia.

somewhere



Era uma vez uma primavera, em algum lugar distante. Distante o bastante para não podermos alcançá-lo, mas perto o suficiente para querermos encontrá-lo. Algum lugar distante, onde as flores enchem o espaço vazio, e onde nossos desejos são reais. Algum lugar sem faz-de-conta, onde nunca se diz adeus. Algum lugar distante para sonhar, e viver feliz para sempre. Algum lugar onde “para sempre” dure mais do que aqui. Algum lugar imperfeito, porque nem tudo é o que parece. Algum lugar distante, onde a magia exista.



Algum lugar com contos de fadas, por favor.